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LIÇÃO 12 - A VINDA DE JESUS E O JUÍZO SOBRE OS ÍMPIOS I
Na segunda epístola de Paulo aos tessalonicenses, o apóstolo reafirma
alguns pontos postos em dúvida quando da recepção da primeira carta,
explicitando aspectos da volta de Jesus.
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| INTRODUÇÃO - Alguns meses após ter mandado sua primeira epístola aos crentes de Tessalônica, o apóstolo Paulo recebe notícias a respeito de alguns mal-entendidos decorrentes dos ensinos da primeira carta e, mostrando seu zelo para com aquela igreja, escreve outra carta, para que não houvesse qualquer dúvida pendente. - Nesta segunda epístola, o apóstolo explicita mais os eventos e os aspectos da volta de Cristo, motivo por que é esta carta, juntamente com a anterior, denominada por alguns de “epístolas escatológicas de Paulo”. I – SAUDAÇÃO INICIAL E APRESENTAÇÕES DA SEGUNDA EPÍSTOLA DE PAULO AOS TESSALONICENSES - Embora o ilustre comentarista da lição tenha preferido enfocar, nesta lição, a questão do juízo sobre os ímpios, um dos aspectos trazidos pelo apóstolo Paulo para aquela igreja na segunda carta, entendemos que devamos, nesta lição, fazer um estudo da segunda carta de Paulo aos tessalonicenses, como fizemos com a primeira, já que nosso objetivo, no trimestre, é fazer o estudo de ambas as cartas, não deixando de ver o aspecto salientado pelo comentarista, mas indo além dele e deixando para a última lição o estudo a respeito do aguardo da vinda de Cristo, sem dúvida o aspecto mais importante desta segunda carta do apóstolo em seu ministério epistolar. - Tudo indica que esta segunda carta que Paulo escreveu aos tessalonicenses foi escrita pouco tempo depois, praticamente em seguida da primeira carta. A primeira indicação disto é o fato de que Paulo menciona ainda estar na companhia de Silas e de Timóteo no intróito da carta, o que revela que ainda se encontrava em Corinto, onde ficou por dezoito meses (At.18:11), bem como o fato de que, ao iniciar o ensino a respeito da volta de Cristo, o apóstolo menciona o fato de que os crentes de Tessalônica não deveriam se abalar por interpretações dadas à epístola anterior (II Ts.2:2), o que comprova que esta carta foi escrita em razão da reação que a primeira tivera entre os crentes de Tessalônica. - Desta maneira, podemos ver nesta carta um reforço aos ensinos e orientações que o apóstolo dá na sua primeira carta, notadamente no que concerne aos aspectos da volta de Cristo e do comportamento que os crentes mantinham em razão da má interpretação a respeito do assunto, o que não havia ainda se dissipado completamente quando do envio da primeira carta. Isto nos mostra, claramente, que, nem sempre, o fato de se dar um estudo a respeito de um tema na igreja é o suficiente para se afastar os mal-entendidos e as interpretações errôneas. O ensinador deve não somente ensinar, mas também redargüir, ou seja, repetir o ensino, reiterar seu ensinamento, quando verificar que o mesmo ainda não foi completamente absorvido pela comunidade. O ensinador deve sempre verificar o aproveitamento dos seus alunos o que, em termos de Palavra de Deus, não se traduz apenas numa verificação teórica, mas, sobretudo, numa verificação de melhora na vida espiritual de cada um. Eis a sua grande responsabilidade, caro professor de EBD! - Paulo inicia a sua segunda epístola da mesma maneira que havia feito na primeira carta, ou seja, apenas mencionando seu nome, sem qualquer qualificação ou indicação de característica, como também citando os seus cooperadores Silas (Silvano) e Timóteo. A forma de apresentação é idêntica, não podendo ser diferente, pois o apóstolo tinha de manter uma estabilidade, um equilíbrio, uma postura, ante a sua posição e responsabilidade diante daquela igreja local. Temos aqui uma grande lição a seguir: assim como nosso Mestre e Senhor, temos de ser os mesmos, temos de manter o mesmo padrão obtido quando de nossa salvação. Verdade é que a vida espiritual é progressiva, que devemos melhorar a cada instante o nosso relacionamento com Deus, mas nunca devemos deixar de ser as mesmas pessoas, de ter o mesmo comportamento, a mesma comunhão, a mesma santidade, a mesma unção, a mesma autoridade espiritual. Devemos ser constantes e firmes na obra do Senhor, como aconselharia o apóstolo ao escrever aos coríntios (I Co.15:58). Só aqueles que perseverarem, que prosseguirem, alcançarão, ao final, a salvação (Mt.24:13). OBS: “…A constância dos crentes em face de perseguição é prova de que Deus os achará dignos de entrar no Seu Reino (1 Pe 1.5,7) e, ao mesmo tempo, confirma o julgamento justo dos perseguidores (v.9).” (BÍBLIA SHEDD, nota a II Ts.1.5, p.1683). - Além de repetir a apresentação, o apóstolo também repete a sua saudação. Uma vez mais, afirma que a igreja dos tessalonicenses era firmada em Deus nosso Pai e no Senhor Jesus Cristo, tendo, também, desejado a eles graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. O apóstolo repete, assim, a mesma saudação que fizera na primeira epístola, relembrando aqueles crentes que nossa vida espiritual tem de ser firmada em Deus e em Jesus e que nunca devemos nos esquecer de que toda a nossa espiritualidade é resultado da ação da graça e da paz divinas em nossos corações. Somos salvos pela graça(Ef. 2:5 “in fine”), este favor imerecido do Senhor, temos paz com Deus porque fomos justificados pela fé(Rm.5:1) e porque o castigo dos nossos pecados caiu sobre Jesus (Is.53:5). - O apóstolo agradece a Deus porque teve conhecimento de que a igreja de Tessalônica continuava a crescer na fé e no amor depois do envio da primeira carta. Mais uma vez vemos qual era o propósito do apóstolo: o crescimento espiritual dos crentes. Ele dava graças a Deus porque os crentes de Tessalônica no período entre o envio da primeira carta e o das notícias de sua recepção continuavam a crescer na fé e no amor. - A expressão utilizada por Paulo para se dirigir aos crentes de Tessalônica, a saber, irmãos, mostra como o apóstolo tinha vívido interesse no crescimento espiritual da igreja e como ele está disponível a tantos quantos queiram crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. Ao chamar os crentes de irmãos, o apóstolo, além de assumir que também crescia espiritualmente, mostrava que isto era possível a quem servisse a Deus, bem diferente do que se está a processar na atualidade, onde muitos líderes fazem questão de se tornar distintos dos demais crentes, dizendo-se portadores de “unções especiais” ou “poderes especiais”, aos quais os demais crentes devem se submeter. Paulo jamais se fez mediador entre os crentes e Cristo, mas alguém que estava ao lado deles nesta busca para uma maior intimidade com o Senhor. - A fé e o amor crescentes entre os crentes de Tessalônica abundavam nuns para com os outros, ou seja, não se tratava apenas de um crescimento no relacionamento entre Deus e cada crente, mas dos crentes entre si. Não existe crescimento espiritual genuíno sem que haja uma melhora nos relacionamentos com os próximos, máxime com os domésticos da fé. A igreja local é o melhor ambiente para percebermos se está havendo, ou não, um verdadeiro progresso espiritual do povo. Se os relacionamentos não se desenvolvem, se não há o exercício do amor ao próximo, devemos desconfiar do progresso espiritual que seja propagandeado. Nos relacionamentos dos crentes e não nos “glórias” e “aleluias” das reuniões é que perceberemos se a igreja local cresce, ou não, na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. - Por falar em “glórias”, Paulo glorificava a Deus por causa da paciência e da fé dos crentes de Tessalônica, fé e paciência que eram demonstrados nas perseguições e aflições que eram vividas por aqueles servos do Senhor. As lutas e dificuldades que os crentes passam são, como se vê, uma forma de o Senhor mostrar o nosso interior aos homens, uma forma de nos fazer crescer espiritualmente, um meio pelo qual nos aprimoramos não só no nosso relacionamento com Deus como também no nosso relacionamento com o próximo. - Ao estudarmos a história das nações, verificamos, muitas vezes, que muitos povos, muitos países precisaram passar por dificuldades, por problemas, por momentos aflitivos, para conseguirem superar-se e alcançar melhores níveis de vida, melhores condições para a sua população. Algumas nações, como, por exemplo, Alemanha e Japão, arrasados depois da Segunda Grande Guerra, ao lado do apoio econômico-financeiro recebido dos países vencedores (notadamente dos Estados Unidos), tiveram na tragédia as condições para o surgimento de um país mais desenvolvido que antes das tribulações. - Não é diferente com cada ser humano. Dificuldades, problemas, aflições, tribulações são mecanismos que permitem o aprimoramento, o desenvolvimento da pessoa e como Deus quer sempre o bem do homem, pois O ama de tal maneira (Jo.3:16), permite que passemos por situações aflitivas, por circunstâncias adversas, a fim de que possamos melhorar o nosso ser, o nosso relacionamento com o Senhor e o relacionamento com o próximo. - Sem qualquer respaldo bíblico, portanto, o entendimento equivocado da teologia da prosperidade e da doutrina da confissão positiva que dizem ser a vida do cristão um mar de rosas, uma vida onde é proibida a existência de qualquer dor, aflição, doença ou qualquer espécie de problema. Muito pelo contrário, as Escrituras indicam que “…por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus.”(At.14:22b). Jesus disse que, no mundo, teríamos muitas aflições (Jo.16:33). - Uma prova do benefício que as perseguições e aflições faziam aos crentes de Tessalônica era a circunstância de que, graças a estas circunstâncias adversas, aquela igreja local tinha se torna o exemplo dos fiéis não só da Macedônia e da Acaia, mas de todo o mundo (I Ts.1:7,8), situação que só tinha melhorado desde o envio da primeira carta, como foi registrado pelo apóstolo (II Ts.1:3). - Mas, além disto, o apóstolo diz-nos que glorificava a Deus porque os crentes de Tessalônica demonstravam ter paciência e a paciência é fruto da tribulação (Rm.5:3). Sem que haja tribulação, não se produz paciência e a paciência é necessária para o crente, pois se trata de uma qualidade do fruto do Espírito (Gl.5:22). Precisamos ser pacientes, porque o Senhor é paciente. A longanimidade é uma qualidade divina que precisa estar presente na vida de cada cristão e, para que a adquiramos, temos de passar por aflições, lutas e perseguições. - Os crentes de Tessalônica, novos convertidos, tinham de adquirir a paciência, esta característica do cristão que não vem imediatamente com a salvação, mas que exige uma convivência, um desenrolar da comunhão do crente com o Senhor sobre a face da Terra. Por isso, as tribulações por que passavam eram necessárias para a sua formação e, por isso, Paulo glorificava a Deus, pois sabia perfeitamente que isto traria aos crentes de Tessalônica não só a paciência, mas a experiência que ainda não possuíam na jornada da fé (Rm.5:4). - Paulo torna a falar aos crentes de Tessalônica que o sofrimento, a dificuldade, a tribulação, a aflição são necessários para que sejamos dignos do reino de Deus (II Ts.1:5). Reitera, assim, o que já havia dito enquanto esteve entre os tessalonicenses, pois o apóstolo nunca deixou de advertir aquela igreja local que eles sofreriam perseguições por terem aceitado a Cristo (I Ts.3:3,4). Quão diferente dos pregadores de prosperidade de nossos dias… II – DEUS, O JUSTO JUIZ - Paulo nunca escondeu dos crentes de Tessalônica de que a vida cristã é passível de sofrimentos, tendo-os advertido, logo no início da sua pregação naquela cidade, que eles sofreriam por ter se decidido por Cristo. Todavia, o sofrimento não deveria ser visto como uma punição ou um castigo divinos, mas, pelo contrário, como uma demonstração do amor de Deus. Como diria o apóstolo na sua carta aos romanos: “sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por Seu decreto” (Rm.8:28). - O apóstolo já havia indicado aos crentes tessalonicenses, na sua primeira carta, que um dos principais problemas que havia percebido naquela igreja local, quando do relato que lhe deu Timóteo ao retornar de lá, era o fato de que os cristãos daquela cidade precisavam aumentar seu amor fraternal como também amar os seus próprios inimigos. Paulo orava para que aqueles crentes amassem a todos (I Ts.3:12). - Agora, ao receber notícias a respeito da reação que a sua primeira carta havia tido, Paulo compreendeu que a lição a respeito do aumento do amor, não só o amor fraternal mas também do amor para com todos, fora aprendida pelos crentes tessalonicenses e que, portanto, poderiam eles ser ensinados a respeito dos dois sofrimentos que existem para o ser humano: o sofrimento produzido pela comunhão com Deus e o sofrimento decorrente da rebeldia contra o Senhor. - Este procedimento do apóstolo Paulo, aliás, mostra como deve se efetivar a evangelização eficaz. Devemos anunciar a Cristo ao pregarmos o evangelho, como, aliás, agiu o apóstolo quando chegou a Tessalônica (I Ts.1:6), repetindo, assim, o que fizera desde o início de seu ministério (At.9:20). Ao anunciarmos Cristo, devemos falar do amor de Deus, da oportunidade de arrependimento e perdão dos pecados e de o mais importante para o homem é ter uma nova vida, é ser uma nova criatura, converter-se e passar a ter comunhão com Deus. Devemos nos lembrar que estamos a anunciar Aquele que veio para os doentes e não para os sãos (cf. Mc.2:17). - Por isso, não devemos, na pregação do Evangelho, pôr como foco de nossos sermões ou de nossos pronunciamentos a condenação eterna, o “fogo do inferno” e outras coisas mais, porquanto o que se precisa é dar esperança ao perdido, mostrar-lhe que é possível que passemos da morte para a vida, que tenhamos um futuro de glória na presença de Deus durante toda a eternidade. Evangelho é “boa nova”, “boa notícia”. Muitos, nos nossos dias, têm feito de suas pregações mais uma variação dos noticiários ruins e desestimuladores que ocupam os veículos de comunicação diariamente. Não, não e não! A Igreja tem uma boa nova a anunciar, uma boa notícia a apresentar. Que os ouvintes de nossas palavras possam ter o mesmo estímulo provocado na multidão que se encontrava em Jerusalém no dia de Pentecostes e ao clamor de “Salvai-vos desta geração perversa”(At.2:40b), possam responder com um “Que faremos, varões irmãos?” (At.2:37b). - Primeiro, Paulo pregou a Cristo. Depois, quando as pessoas receberam Cristo em seus corações, mostrou-lhes que eles padeceriam, sofreriam neste mundo, mas, agora, quando já o sofrimento havia chegado e quando já produzia os seus frutos, o apóstolo, então, via o momento oportuno de mostrar, através do sofrimento, a diferença que há entre o que serve a Deus e o que não O serve. Este era o instante em que o apóstolo deveria mostrar aos crentes o que lhes está reservado e o que está reservado ao ímpio. As dores, o sofrimento, a tribulação já produziam resultados palpáveis na vida espiritual de cada crente. Os tessalonicenses já haviam desenvolvido o amor fraternal, já começavam a amar os seus próprios perseguidores e, assim, tinham condições de ser orientados sobre a distinção que se fará aos homens. - Precisamos ter esta noção de oportunidade no ensino da Palavra de Deus. A igreja local deve ser ensinada paulatinamente, como também, dentro da igreja, os crentes devem ser ensinados de modo progressivo, conforme a sua maturidade espiritual. Não nos esqueçamos de que a igreja de Tessalônica era uma igreja de novos convertidos que não tinham tido a oportunidade sequer de terem completado o seu discipulado e, por isso, não poderiam ter tido o ensino a respeito do destino dos ímpios, do juízo que estava reservado aos que rejeitarem a Cristo logo de imediato. - Como disse Salomão, “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Ec.3:1). Assim, no ensino da Palavra, no discipulado dos novos convertidos, faz-se necessário que saibamos qual o devido tempo para que o crente seja orientado. Não é por outro motivo que os apóstolos se dedicavam ao ensino da Palavra e à oração, pois é indispensável que haja o devido discernimento do Espírito Santo para aqueles que o Senhor tem levantado para promover o ensinamento doutrinário na igreja. - Já dissemos algumas vezes neste trimestre que é preciso termos noção do tipo de alimento que daremos ao povo de Deus que está sob a responsabilidade do mestre. Assim como não é possível se dar uma feijoada para uma criança recém-nascida, pois tal alimento poderá até matar o bebê, também não se pode dar um ensinamento profundo a um novo convertido. Desde a Escola Bíblica Dominical, passando pelas demais atividades da igreja local, é necessário que o novo crente tenha um tratamento diferenciado, um cuidado especial e distinto, para que ele possa alcançar a maturidade espiritual. - O apóstolo não havia ensinado os tessalonicenses a respeito do sofrimento dos ímpios, pois entendera que, enquanto os crentes não aprendessem a amar uns aos outros e a amar os seus algozes na dura e impiedosa perseguição de que eram vítimas, não tinham como ter conhecimento destes fatos, que, certamente, representariam um obstáculo à evangelização e à própria edificação espiritual daqueles crentes. - Na evangelização de Tessalônica, em meio àquela cruel perseguição, não deveria haver qualquer referência ao inferno, à perdição, à morte eterna, enquanto os crentes não aprendessem a se amar uns aos outros e a amar os seus perseguidores. Caso lhes fosse ministrado a respeito disto até que houvesse este aumento de amor, certamente teríamos, entre os crentes de Tessalônica, o desejo de uma vingança divina contra os perseguidores, o que representaria um grande impedimento para a divulgação da palavra de Deus entre os que ainda não haviam ouvido o evangelho naquela cidade. - Muitos são os crentes que desejam, na atualidade, o mal dos seus inimigos, que se regozijam na desgraça dos adversários, achando que, com isso, não descumprem a Palavra de Deus, já que não são os responsáveis pelos atos que geraram o infortúnio destas pessoas. No entanto, o procedimento do apóstolo nesta segunda carta mostra que isto não corresponde à realidade bíblica. Devemos amar o nosso inimigo, jamais lhe desejar mal ou nos alegrarmos com a sua infelicidade, gesto, aliás, que tem a reprovação divina (Pv.24:17). São crentes que, muitas vezes, foram inoportunamente apresentados à doutrina do juízo eterno, quando ainda não tinham aprendido a amar o seu inimigo. - Para corroborar este nosso entendimento, observemos que, na relação que o escritor aos hebreus faz das doutrinas básicas do ensino da Palavra, o último é, precisamente, o referente à doutrina do juízo eterno (Hb.6:2), que seria como que a “última disciplina” a ser ensinada num curso de discipulado na igreja primitiva. A igreja tem de ter consciência de que é a agência do reino de Deus na dispensação da graça, do favor imerecido de Deus, que tem como missão anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc.4:19 “in fine”). Esta deve ser sua preocupação primordial. É fato que deve, também, dizer a respeito do juízo eterno, das conseqüências da decisão que se tome diante da perspectiva da eternidade, mas só depois de esgotarmos as características, aspectos e amplitude deste amor de Deus, da graça divina é que devemos nos referir ao “dia da vingança do nosso Deus”. - Lembremo-nos, como faz questão de observar o apóstolo Pedro, que o julgamento começa pela casa de Deus (I Pe.4:17), de modo que, quando falarmos em juízo, sempre tenhamos em conta de que todos os seres humanos serão julgados, independentemente do que tenham feito sobre a face da Terra e em quem tenham crido, pois, enquanto mordomos, enquanto criaturas de Deus que receberam uma incumbência, uma tarefa a realizar, temos de prestar-Lhe contas. Assim, ao falarmos em juízo, nunca nos excluamos e, com muito temor e tremor, analisemos o caso, sabendo que não somos os juízes, pois “há um só legislador e um juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?” (Tg.1:12). - O juízo de Deus, diz Paulo, é justo. Deus é o justo juiz (Jr.11:20; II Tm.4:8), pois Ele próprio é a justiça (Jr.23:6). Deste modo, não podemos, em hipótese alguma, como costumamos fazer, questionar a justiça divina por causa de alguma aflição que estejamos a sofrer. O patriarca Jó não ousou fazê-lo, mas agradou a Deus porque, mesmo após ter perdido todos os seus bens, os seus filhos e a sua saúde, ainda que instigado por sua mulher para dizer algo a Deus a respeito da Sua justiça, reconheceu a justiça divina, a Sua soberania e não imputou ao Senhor falta alguma. É este o comportamento que devemos ter como verdadeiros servos do Senhor. - Deus é o justo juiz, diz Paulo aos tessalonicenses, de modo que deveriam eles sofrer, com paciência, o sofrimento que estavam a suportar e que, como vimos em lições passadas, era terrível e impiedoso. Entretanto, era necessário suportar. Este suportar, entretanto, não significa que o crente deva ficar inerte, sem ação alguma, pois suportar inclui tanto um lado passivo, quanto um lado ativo. Suportar é agüentar o fardo, a prova, o peso que lhe é colocado sobre os ombros, mas, ao mesmo tempo, é fazer a força suficiente para resistir a isto, para não ser esmagado pelas circunstâncias. Como ensinam os físicos, a toda ação há uma reação de igual força em sentido contrário. Portanto, embora não possamos deixar a nossa cruz, tenhamos de carregá-la (Mt.16:24), também é fato que não devemos ficar parados, não podemos admitir que sejamos sufocados pela luta, pela perseguição, mas devemos prosseguir nossa caminhada, pois temos um alvo, pois somos chamados para combater o bom combate, acabar a carreira e guardar a fé. - Dentro deste passo, o sofrimento do povo de Deus tem como propósito nos fazer dignos do reino de Deus. A dignidade é a qualidade de ser digno, ou seja, a qualidade de ser merecedor, de ser apropriado, de ser conforme. Ora, o apóstolo ensina-nos que é pelo sofrimento que o cristão adquire a qualidade de estar conforme, de estar de acordo, de ter a forma de alguém que tem a “herança eterna”, que pertence ao povo de Deus. - É importante verificar que o apóstolo afirma que, através do sofrimento, nós ficamos apropriados, isto é, passamos a ter o povo de Deus, a Igreja (entendida aqui como a igreja universal, o corpo de Cristo, não a igreja local) como o nosso lugar próprio, o nosso lugar correto, como a nossa posição. Não que o mereçamos por nós mesmos, mas assim somos “feitos dignos”, ou seja, a dignidade não é fruto de uma eventual ação nossa, mas resultado da ação de Deus em nós. É interessante observar que, no texto original grego, o verbo se encontra na voz passiva, ou seja, o sujeito (ou seja, os crentes) não praticam a ação, apenas a sofrem. Mas por que o sofrimento produz esta dignidade no cristão? Porque, pelo sofrimento, como já foi dito, produz-se a paciência, que é uma qualidade divina que se implanta em nós e, através da paciência, como nos diz o próprio Paulo, advém a experiência e da experiência, a esperança, que não nos permite entrar em confusão e nos mantém constantes e firmes aguardando a volta do Senhor (Rm.5:3-5). - O sofrimento, portanto, não pode ser encarado como uma falha na nossa vida espiritual, mas como um processo para o nosso aprimoramento, para o nosso aperfeiçoamento diante de Deus e, portanto, não podemos ter ódio daqueles que nos causam sofrimento, nem isto pode impedir que prossigamos a amá-los e a desejar que se congreguem a nós, para terem a mesma glória que nos está reservada e cuja esperança depende deste aprendizado que advém do sofrimento. - Entretanto, como Deus é o justo juiz, todos devemos estar certos de que também não ficarão impunes aqueles que perseguirem o povo de Deus e não aceitarem a mensagem do evangelho. Paulo, por ser oportuno, ensina os tessalonicenses de que os perseguidores seriam tratados por Deus. O Senhor não é um Deus ausente, que tenha criado uma lei do “carma” ou da “justa retribuição” e deixado que esta lei e o mundo por ele criado se incumba de fazer valer a Sua vontade, mantendo-se distante de tudo e de todos, como um observador distraído, como quer fazer crer o deísmo, doutrina que tem fincado suas raízes em muitos movimentos, entre os quais a Maçonaria e o próprio espiritismo kardecista. - As Escrituras ensinam que o próprio Deus, pessoalmente, Se encarregará de levar a juízo todos aqueles que causarem males ao próximo, que perseguirem a Igreja e todos os servos do Senhor através da história. Deus não Se deixa escarnecer e tudo o que o homem semear, isto também ceifará (Gl.6:7). Trata-se, porém, de uma prerrogativa divina, de uma ação que o Senhor tomará e que revela aos Seus servos, porque nada faz sem antes lhes revelar (Am.3:7), mas na qual teremos o papel de meros espectadores, de simples assistentes. - Desde o instante do pecado do homem, o Senhor tem lançado juízos sobre a humanidade, a começar pelo próprio juízo dado ao primeiro casal por causa do pecado. A história tem mostrado diversos juízos divinos desde então, juízos estes que correspondem ao término de um período de tratamento do homem por Deus (as chamadas “dispensações”). Assim, após o juízo que resultou na expulsão do jardim do Éden e na morte física, que pôs fim à dispensação da inocência, seguiram-se os seguintes juízos: a) dilúvio – Deus destruiu, pelo dilúvio, toda a humanidade, com exceção de Noé e sua família, pondo fim à dispensação da consciência. b) confusão das línguas – Em Babel, Deus confundiu a língua e determinou, com isso, a destruição da comunidade única pós-diluviana, pondo fim à dispensação do governo humano. c) pragas do Egito – Com as dez pragas sobre o Egito, Deus pôs fim à dispensação patriarcal e formou o Seu povo, Israel, dotado de uma lei. d) Calvário – Com a morte de Cristo, cumpre-se a lei e se satisfaz a justiça divina e termina a dispensação da lei, abrindo-se a oportunidade para a salvação de toda a humanidade na pessoa bendita de Jesus. - Além destes juízos globais, o Senhor também executou justiça em relação a povos localizados ou mesmo a pessoas, a demonstrar que nunca se permite que se suplante a medida determinada pelo Senhor para as transgressões do homem, como são exemplos os episódios de Sodoma e Gomorra, dos habitantes primitivos da terra de Canaã, das dez tribos do Norte e assim por diante. - O fato é que, embora estejamos na dispensação da graça, também chegará o instante em que o Senhor providenciará o juízo sobre a Terra, precisamente ao término desta dispensação. É isto que Paulo anuncia aos crentes de Tessalônica, que já haviam aprendido a amar os seus inimigos. Independentemente deste amor, que é o mesmo amor que Deus tinha a eles, era preciso ter em conta que o justo juiz não deixaria de dar a justa retribuição àqueles que perseguissem, prejudicassem aqueles crentes e se mantivessem rebeldes à voz do Senhor. - Este período do juízo dar-se-á a partir do instante da volta de Cristo, que é o que espera a igreja, que se livrará desta ira futura (I Ts.1:10). O apóstolo, nesta segunda carta, vai ensinar os crentes de Tessalônica a respeito deste juízo eterno, algo que, até então, não havia feito, precisamente porque não era oportuno até então. É importante observarmos esta finalidade desta segunda carta porque ela nos permitirá entender o relato de Paulo a respeito da vinda de Cristo, que é o ponto central da sua parte dogmática nesta epístola, precisamente para que não façamos a confusão que se costuma fazer com os ensinos escatológicos do apóstolo nesta carta e que será objeto da nossa próxima lição. - Estes julgamentos são diferenciados consoante o povo que está envolvido. Senão vejamos. a) a igreja, cujo julgamento não tem qualquer relação com a ira futura(I Ts.1:10), será julgada quanto às obras, sem qualquer possibilidade de perdição (I Co.3:15), pelo Tribunal de Cristo (Rm.14:10; I Co.5:10). b) Israel, cujo julgamento se dará durante a Grande Tribulação, onde se fará o depuramento do povo judeu e o remanescente, finalmente, aceitará Cristo e alcançará a salvação quando estiver para ser destruído pelo Anticristo. É a última semana de Daniel, o tempo da angústia de Jacó (Dn.12:1). c) os gentios, cujo julgamento se dará após a batalha do Armagedom, onde ingressarão no reino milenial de Cristo apenas aqueles que não tiverem se levantado contra Israel (Mt.25:31,32). d) a humanidade que não participou da primeira ressurreição, cujo julgamento se dará após o fim da história, com a derrota final do diabo e de seus anjos na rebelião final, quando todos os homens que não estiverem desfrutando da comunhão com o Senhor serão julgados segundo as suas obras (Ap.20:11-15). III - A NATUREZA DO SOFRIMENTO PARA OS ÍMPIOS - Enquanto o sofrimento se apresentava como uma forma de aperfeiçoamento dos salvos, da igreja de Deus, o padecimento que aguarda os ímpios nada mais é que a justa retribuição pelos delitos cometidos. Enquanto para os crentes, o resultado do sofrimento atual seria a glória, o descanso (II Ts.1:7), para os ímpios seria como labareda, ou seja, como chama ardente. - De pronto, o apóstolo ensina que aqueles que não conhecem a Deus e que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo sofrerão e terão como castigo a eterna perdição (II Ts.1:7-9). No que talvez seja o segundo registro escrito do Novo Testamento, portanto, vemos claramente a idéia de que os ímpios, aqueles que se recusarem a servir a Deus, terão um sofrimento e um sofrimento que é eterno. - Não tem, portanto, qualquer sentido o ensinamento que muitos têm feito no sentido de que os ímpios serão destruídos, aniquilados, que não mais existirão, quando do julgamento divino que se dará no final dos tempos, como defendem alguns líderes de movimentos religiosos que, também por causa destes ensinamentos, são considerados seitas e heresias, como é o caso das Testemunhas de Jeová e dos sabatistas. O apóstolo deixa-nos bem claro que os ímpios terão por castigo a eterna perdição (II Ts.1:9). - Quando fala em castigo, o apóstolo está falando em punição, em penalidade, em retribuição. Ora, só há aplicação de pena após um julgamento e a pena mencionada por Paulo não é a morte, mas, sim, o padecimento, ou seja, o sofrimento, que é apresentado aqui como uma retribuição, ou seja, como um pagamento. Ora, se virmos o contexto em que se dá esta explicação do apóstolo, enxergaremos claramente que Paulo fala a uma igreja local que estava sofrendo, passando por aflições, estavam suportando aflições e perseguições. Assim, como poderia considerar que a retribuição devida e justa para uma aflição seria uma destruição, um aniquilamento, um estado de perpétua inconsciência? - Evidentemente que o apóstolo, ao ministrar a respeito do que é a “eterna perdição”, está a ensinar aos crentes de Tessalônica de que os ímpios sofreriam aflições eternas, padeceriam, teriam um sofrimento atroz durante a eternidade, precisamente porque não haviam conhecido a Deus nem obedecido ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. - Muitos, ao se defrontarem com esta verdade bíblica, ousam questioná-la, dizendo que Deus, por ser infinitamente bom, não permitiria que alguém passasse a sofrer para todo o sempre. Entendem que Deus não pode, enquanto amor, permitir que alguém venha a sofrer para todo o sempre, pois isto faria do Senhor um carrasco, um sádico, alguém que tivesse prazer no sofrimento alheio, o que contrariaria o Seu caráter bondoso, que Lhe é inerente. - Por causa disso, muitos defendem a idéia de que o sofrimento dos ímpios não é eterno, é passageiro e que, mais cedo ou mais tarde, haverá a redenção de todos os seres humanos. É a chamada doutrina do “universalismo” que, além de ser adotada pelos ortodoxos orientais e pelos anglicanos, também encontra guarida entre os mórmons. - Todavia, quem assim pensa está fora da realidade bíblica, está fora das Escrituras, que é a verdade (Jo.17:17). Neste texto, um dos mais antigos do Novo Testamento e que, portanto, reflete o pensamento doutrinário primitivo da Igreja (a desmentir, portanto, as alegações de que a idéia do sofrimento eterno teria sido uma acolhida de doutrinas pagãs, das religiões greco-romanas e babilônicas, como chegam a dizer alguns dos defensores da tese da aniquilação final dos ímpios), o apóstolo é claríssimo ao dizer que o sofrimento é a justa retribuição que se faz ao sofrimento causado e à rejeição da oferta salvadora do Senhor através do evangelho de Jesus Cristo. - Cumpre observar, como já se disse supra, que o julgamento pertence unicamente a Deus e que, portanto, não nos cabe deixar a nossa posição de homens e, petulantemente, questionar o julgamento divino que o Senhor fez questão de nos revelar a respeito da Sua Palavra. Quem somos nós para julgar, se só Deus é o juiz? Como poderemos querer usurpar o lugar que só ao Senhor cabe e dizer o que é certo ou errado? Como nós, meros vasos de barro, poderemos ousar querer dizer o que deve fazer o oleiro? (Is.45:9,10). - O fato é que o justo juiz é Deus e que, enquanto juiz, o Senhor já nos revelou que aplicará aos ímpios a pena de sofrimento eterno, pena esta que é a justa retribuição, não apenas pelos males que tenham causado aos crentes, mas, e aqui está o motivo de ser eterno o castigo, pela circunstância de se ter tratado Deus como mentiroso ao se recusar a oferta salvadora na pessoa bendita de Cristo Jesus (cf. I Jo.5:10). - Para que alguém sofra eternamente, o apóstolo diz que deve preencher dois requisitos, a saber: não conhecer a Deus e não obedecer ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (II Ts.1:8”in fine”). - Não conhecer a Deus é não ter intimidade com Ele, ou seja, é não ter comunhão com o Senhor, o que se obtém mediante a prática do pecado, que é o que faz divisão entre Deus e o homem (Is.59:2). Mediante a oferta de arrependimento do seu modo de viver, o ímpio não quer mudar de vida, não quer se aproximar de Deus, preferindo uma vida de independência, de auto-suficiência, de orgulho e de altivez. Uma atitude desta natureza não pode resultar senão em morte, pois este é o salário, a recompensa do pecado. Feito por Deus para ter existência eterna, feito livre para escolher entre o bem e o mal, o homem, então, recebe o justo pagamento pela sua opção e é mantido separado de Deus, já que viveu em pecado e se recusou a deixar de praticá-lo. Assim, é mantido separado de Deus durante todo o resto da sua existência, ou seja, para sempre, uma vez terminada a história, uma vez suprimido o tempo. É a justa retribuição pela sua conduta: sofrer eternamente, estar eternamente separado de Deus, já que assim viveu em sua existência física, por sua própria opção, não querendo deixar de pecar, não querendo conhecer a Deus. - Não obedecer ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo é não atender ao chamado de Cristo para crer na mensagem de que o homem pode ser salvo na pessoa de Cristo, o Filho de Deus. Não obedecer ao evangelho é não fazer o que Jesus manda, é não crer que Jesus salva o pecador. É fazer Deus mentiroso, o que se constitui numa transgressão cuja punição só pode ser a de ser mantido separado de Deus, cuja soberania foi recusada. Como Deus é eterno, esta separação necessariamente há de ser eterna, pois não haverá tempo após o julgamento e ao se tratar Deus como mentiroso, praticou-se um verdadeiro crime de lesa-majestade, que importa no banimento do criminoso do convívio com o povo sujeito ao Rei. - Não obedecer ao evangelho, rebelar-se contra o evangelho é não obedecer a algo que é eterno (Ef.3:11; Hb.13:20; Ap.14:6), de modo que a justa retribuição à rejeição de algo que é eterno, nada mais, nada menos é que se manter a exclusão dos benefícios propiciados por aquilo que é recusado por toda a eternidade. OBS: “…Os malvados serão banidos para sempre da presença do Senhor, enquanto os salvos estarão ‘sempre com o Senhor’ (I Ts.4:17). A diferença é eterna.” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, nota a I Ts.1:7, p.1257). - Deus é amor, mas também é justiça e, por isso, no tempo certo, no tempo que Lhe aprouver, providenciará o julgamento de todos os homens, a fim de que cada um responda pelos atos cometidos, atos estes decorrentes da liberdade com que aquinhoou cada ser humano. A tese “universalista”, esta sim, não considera o caráter divino, imputando-lhe uma injustiça que jamais poderia ocorrer. Parte, ademais, da consideração de que nós, homens, temos condição de pensar como Deus, como se os nossos pensamentos pudessem atingir os pensamentos divinos (Is.55:8,9). Se temos conhecimento de como se dará o julgamento e de quais são as penas, isto não se deve a qualquer capacidade que tenhamos tido para inferi-lo, mas única e exclusivamente porque Deus no-lo quis revelar. Por isso, não nos cabe discutir ou questionar, mas tão somente crer e aceitar aquilo que Deus nos mostrou a respeito do juízo eterno. - O apóstolo, portanto, deixa-nos claríssimo que os ímpios, aqueles que não conhecem a Deus e que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, sofrerão um castigo, que é o sofrimento, sofrimento este que será eterno. OBS: “Os sofrimentos pelo Reino e por causa dele valem aos que os suportam uma sentença favorável no dia do julgamento de Deus (cf. Mt. 5.10) que, ao mesmo tempo, punirá os perseguidores (cf. Fl.1,28)…” (BÍBLIA – TRADUÇÃO ECUMÊNICA BRASILEIRA, nota c, p.2313). O texto da TEB, aliás, deixa bem clara esta idéia, a saber: “É justo, de fato, que Deus retribua aflição por aflição aos vossos opressores, e que a vós, oprimidos, dê o repouso…” - Paulo afirma que este sofrimento será “como labareda” (o texto bíblico da ARC fala em “labareda de fogo”, mas preferimos aqui acolher a lição de Pasquale Cipro Neto, o mais famoso professor de Língua Portuguesa na atualidade, que afirma que esta expressão é inadequada, pois toda labareda é de fogo, de modo que se estaria diante de um “pleonasmo vicioso”. Além do mais, o texto bíblico original fala em “chama de fogo”, expressão utilizada pela ARA ou “chamas flamejantes”, como diz a NVI). É importante observar que o apóstolo usa de uma figura de linguagem, da comparação, para indicar o sofrimento. - A idéia do fogo como um instrumento de sofrimento intenso e torturante é próprio da humanidade ao longo dos tempos. Até hoje, quando pensamos em queimaduras, pensamos em dores atrozes e permanentes, que fazem a pessoa sofrer muitíssimo. O fogo, portanto, sempre esteve associado à idéia de sofrimento. Por isso, seja em Babilônia, seja na Grécia ou em Roma, desenvolveu-se a idéia do sofrimento por meio de chamas de fogo na eternidade, como era o caso da Geena, do judaísmo posterior ao cativeiro babilônico ou do Tártaro grego. OBS: “…Era natural, entre os povos antigos, os quais costumavam castigar seus inimigos derrotados, com o incêndio de suas cidades, e até mesmo os executando-os na pira ardente, supor-se que Deus usava o fogo em Seu julgamento contra os injustos. Mas não passa de um conceito insólito a idéia de que Deus literalmente queima os homens no fogo. À semelhança do que têm feito homens violentos. Por conseguinte, consideramos que essa linguagem é simbólica…” (R.N. CHAMPLIN. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, v.5, com. I Ts.1:8, p.232). - No entanto, é preciso vermos que, em instante algum, o apóstolo afirma que se teria uma idéia física de fogo, que “o fogo do inferno” seja um fogo físico, literal, característico dos mitos babilônicos ou gregos. É uma imagem, uma figura, uma ilustração para que os crentes de Tessalônica tivessem a noção do que representaria o sofrimento eterno destinado aos ímpios, mas não podemos, em sã consciência, defender que se está diante de uma constatação física, de que os homens sofrerão, na eterna perdição, no lago de fogo e enxofre, um sofrimento consistente em queima física proporcionada por chamas de fogo. O inferno é um lugar existente em outra dimensão, tanto que persistirá existindo mesmo quando o universo físico desaparecer (cf. Ap.20:11 ,14, 15) de modo que não haverá ali o fogo físico, até porque não haverá sequer oxigênio para permitir a combustão necessária para que se tenha o fogo. OBS: Oportuno aqui verificar que chamamos de inferno ao lago de fogo e enxofre, onde serão lançados o diabo e seus anjos e os homens condenados após o julgamento final e não ao Hades, que é o lugar onde ficam os mortos que aguardam o julgamento final, lugar, por exemplo, que é mencionado como “inferno” no texto da ARC de Ap.20:14. - Não queremos com isso, também, dizer que o inferno será apenas um estado mental de sofrimento, como chegou a defender, certa feita (em audiência de 28/7/1999), o Papa João Paulo II, que reinou sobre a Igreja Romana de 1978 a 2005. A Igreja Romana, aliás, define o inferno como sendo “… o estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados “ (cânon 1033 do Catecismo da Igreja Romana – tradução nossa de texto oficial em espanhol). Mais do que um estado, porém, temos consciência de que o inferno é um lugar onde ficarão sofrendo eternamente aqueles que não conhecerem a Deus nem obedecerem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. - Que se trata de lugar de sofrimento eterno, não temos dúvida, pois o próprio Jesus, em várias oportunidades, aludiu a este lugar como sendo um local de tormento eterno (Mt.25:46), um local onde haveria pranto e ranger de dentes (Mt.8:12; 13:42,50; 22:13; 24:51; Lc.13:28). Portanto, não há como dizer que o inferno não existe, que é uma criação mitológica de Babilônia, de Grécia ou de Roma, mas é uma realidade que se apresenta a todos os homens. É este o lugar reservado para o diabo e seus anjos (Mt.25:41) e para onde irão, lamentavelmente, aqueles cujos nomes não forem encontrados no livro da vida (Ap.20:15). - A eterna perdição, portanto, não é o aniquilamento, a cessação da existência, mas a eterna separação de Deus por causa do pecado e da falta de arrependimento dos ímpios, apesar da proclamação do evangelho e da revelação de Deus que Se fez conhecer a toda a humanidade. O resultado do desconhecimento de Deus e da desobediência ao evangelho é a eterna perdição. A palavra grega original, traduzida por “perdição” na ARC é “olethros”, que tem o significado de “destruição”, “ruína”, “morte”. Na NVI, por exemplo, foi traduzida por “pena de destruição eterna”, dentro da linha adotada pelos tradutores de traduzir “olethros”(όλεθρος) por “destruição”. No entanto, esta “destruição” de que fala o texto de I Ts.9 não é aniquilamento, fim de existência, como uma leitura precipitada pode entender, dando guarida a conceitos errôneos supramencionados, mas tem o sentido de “ruína”, de “morte”, ou seja, de “separação eterna”, exatamente como explica o apóstolo João no Apocalipse, ao se referir à “segunda morte” (Ap.20:14 “in fine”). OBS: Feliz, no nosso entendimento, foi a fórmula da Tradução Ecumênica Brasileira, a saber: “O castigo deles será a ruína eterna, longe da face do Senhor e do fulgor da Sua majestade”. - Tanto não se está diante de cessação de existência que o próprio texto que nos fala da “eterna perdição” ou “destruição eterna”, diz que isto se dará “ante a face do Senhor e a glória do Seu poder”, mostrando, pois, que os condenados terão condições de observar, ainda que à distância, de conscientemente ver a glória do Senhor e a Sua majestade, pois toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor para glória de Deus Pai (Fp.2:11), o que somente é possível se não houver cessação de existência. Aliás, este sentido de afastamento, de distância é ínsito na preposição “apo” (άπό), que foi traduzida por “ante” na ARC. - O inferno está vinculado ao julgamento dos ímpios e, portanto, somente será inaugurado quando do início deste julgamento, o que se dará a partir do final da Grande Tribulação, como visto supra. Como ensinam as Escrituras, o inferno será ocupado a partir da batalha do Armagedom, quando ali serão lançados vivos o Anticristo e o Falso Profeta (Ap.19:20 “in fine”), seguindo-se-lhes, mil anos depois, o diabo e seus anjos (Ap.20:10) e, posteriormente, os homens que forem condenados no juízo final (Ap.20:15). IV – O DESTINO DOS CRENTES EM CRISTO ANTE A PERSPECTIVA DO JULGAMENTO DOS ÍMPIOS - O apóstolo não deixou de ensinar os crentes tessalonicenses, que agora já se amavam uns aos outros abundantemente, como também os seus inimigos, a respeito do juízo eterno, a última doutrina básica que deveria ser ministrada aos neoconversos na igreja primitiva, como também fez questão de lhes ensinar a respeito do destino que era reservado para cada um dos salvos, para cada um dos santos. Não basta ensinarmos a respeito do sofrimento sobre a face da Terra como razão para aperfeiçoamento dos santos, nem tampouco que aos ímpios está reservado o sofrimento eterno. É preciso manter sempre na mente e nos corações dos crentes que aqui não é o nosso descanso e que o Senhor foi nos preparar lugar para vivermos eternamente com Ele (Jo14:1-3). - Assim procedeu o apóstolo, até porque um dos principais temas desta epístola é pormenorizar, esclarecer a questão da volta de Cristo, sendo esta a sua parte dogmática, como teremos ocasião de estudar na próxima lição. De qualquer maneira, o apóstolo, já na sua apresentação, quando insiste em mostrar aos crentes de Tessalônica o seu progresso espiritual e o significado do sofrimento para eles, introduzindo-lhes na doutrina do juízo eterno (o que torna esta apresentação, também, não tão ortodoxa quanto as seguintes nas demais epístolas do apóstolo), para dizer o que está reservado aos ímpios, também lembra aqueles irmãos que um futuro glorioso estava destinado a quem serve a Deus. - O apóstolo inicia esta lembrança ao mostrar aos crentes de Tessalônica que, enquanto a eternidade significava juízo para os ímpios, justa paga pelo mal cometido à igreja, para os salvos, os eventos finais da história da humanidade, as “últimas coisas” representavam “descanso”, palavra que, no texto original grego é “anesis” (άνεσις), que significa “alívio”, “melhora de condição”, “relaxamento das tensões”, o que mostra, claramente, em primeiro lugar, que a vida além-túmulo não é um estado de inconsciência, mas, sim, de alívio de tensões, de retirada de fardos, de dificuldades, de lutas, uma continuidade da “leveza” que acompanha a vida do cristão que, ao aceitar a Cristo, ganha um fardo leve e que, ao término de sua carreira, livra-se da tensão, do conflito entre a velha e a nova natureza, das dores e das aflições da vida presente. - O que está reservado ao crente é o “descanso”, descanso este que não é aqui nesta Terra (Mq.2:10a), mas que está, sim, preparado para o povo de Deus (Hb.4:9). Este “descanso”, ensina o apóstolo, terá início “quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do Seu poder” (I Ts.1:7b), ou seja, quando Jesus voltar para buscar a Sua igreja e a livrar da ira futura (I Ts.1:10). Percebemos, pois, que, ao contrário do que se costuma dizer, na segunda epístola de Paulo aos tessalonicenses, o apóstolo reafirma que há uma manifestação do Senhor aos crentes para lhes trazer o descanso, descanso que se contrapõe à ira futura, ao sofrimento que será impingido aos que não obedeceram ao evangelho e não conheceram a Deus. - Se conhecermos a Deus, isto é, tivermos intimidade com Ele, mediante o arrependimento de nossos pecados. Se obedecermos ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, crermos em Jesus e, por conseguinte, fizermos o que Ele manda, certamente perceberemos a manifestação de Cristo com os anjos do Seu poder e O encontraremos nos ares. Você tem esta certeza? OBS: Embora respeitando as outras linhas de pensamento, percebamos que, nesta manifestação de que fala o apóstolo, Jesus é acompanhado dos Seus anjos, ou seja, trata-se da volta de Cristo para a Igreja, para evitar o sofrimento, a confirmar, então, a visão pré-tribulacionista. - Mas, além do descanso prometido para quando da manifestação de Cristo com os Seus anjos, o apóstolo também diz aos crentes de Tessalônica que os ímpios serão julgados num instante “quando [o Senhor] vier para ser glorificado nos Seus santos e para Se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem”(I Ts.1:10a), ou seja, Paulo mostra aos crentes que, além do descanso, está reservado para eles a “glorificação”, pois, quando do julgamento, os santos, isto é, os crentes, a Igreja estará glorificada com Cristo. - A glorificação é o estágio final da salvação, é o “fim” da perseverança de que fala o Senhor Jesus em Seu sermão escatológico. Iniciado com o arrependimento, o processo da salvação do homem termina com a glorificação, quando os crentes adquirirão o mesmo corpo celestial que Jesus assumiu quando de Sua ressurreição. Paulo explica bem o processo da glorificação no capítulo 15 da primeira carta aos coríntios e aqui, ainda que de forma sucinta, introduz este ensino aos crentes de Tessalônica, como corroboração à consolação que havia dado quando da explicação, na primeira carta, a respeito da ressurreição dos mortos. - Nós estamos aguardando a glorificação, quando, então, adquiriremos um corpo espiritual, um corpo celestial, um corpo que não é de carne e sangue e que, só então, estará imune a doenças e enfermidades, ao contrário do que ensinam os pregoeiros da prosperidade e da confissão positiva. Nosso corpo atual, de carne e sangue, não herdará a eternidade, a dimensão celestial (I Co.15:50). Esta glorificação dar-se-á por ocasião do arrebatamento da Igreja, razão pela qual Cristo Se apresentará glorificado com os crentes no instante do juízo final. - A glorificação, diz o apóstolo, é o resultado final da fé salvadora, é o último instante do processo da salvação. Paulo afirma que isto se dará porque o seu testemunho foi crido entre os tessalonicenses. Somos justificados pela fé, a fé que vem pelo ouvir pela Palavra de Deus. Por isso, a salvação é produto da graça divina, não é fruto de qualquer mérito que tenhamos, vez que tudo provém da fé e a fé vem pelo ouvir pela Palavra de Deus. Tudo se origina em Deus e, por isso, devemos ter esta consciência e esta gratidão em nossos corações. - Mas, para que atinjamos este estágio final, a glorificação, é preciso que sejamos feitos dignos por Deus e isto se faz mediante o cumprimento da vontade do Senhor e mediante o trabalho da fé com poder. - O crente perseverará até o fim e alcançará a glorificação se, em primeiro lugar, cumprir todo o desejo da bondade de Deus, ou seja, se fizer a vontade do Senhor. É preciso que renunciemos a nós mesmos para que sigamos a Jesus. Muitos, nos nossos dias, querem saber qual é a vontade de Deus e muito se dedicam neste propósito, mas falham em não fazer a vontade de Deus. É preciso entender qual é a vontade do Senhor mas isto só se consegue a partir do momento que nos fazemos dignos do Senhor, ou seja, a partir do instante em que praticamos as ações que o Senhor já mostrou que quer que sejam praticadas a partir da Sua Palavra. - A maior revelação da vontade de Deus é a Sua Palavra. Fazer a vontade de Deus é, em primeiro lugar, dar crédito às Escrituras, viver de acordo com elas, praticar as ações que ela determina. Muitos querem saber e entender a vontade de Deus, mas não fazem aquilo que a Bíblia determina. Por exemplo, muitos querem saber qual o ministério, o que devem fazer na obra de Deus, porém não “põem a mão na massa”, não iniciam uma atividade na obra de Deus, mantendo-se inertes, esquecendo-se de que Deus não fala com ociosos, nem tem qualquer prazer na ociosidade. “Meu Pai trabalho e Eu trabalho também”, disse Jesus e, de Gênesis a Apocalipse, vemos Deus chamando unicamente homens que estavam a trabalhar. Se assim é, como querer ser digno da vocação divina, se não se cumpre o desejo da bondade de Deus, que é a de que devemos “arregaçar as mangas” e trabalhar? Por isso, se alguém quer atingir a glorificação, comece a fazer, agora, a vontade de Deus. - Mas não basta cumprir a vontade do Senhor. Faz-se mister que se pratique a obra da fé com poder. Aqui, uma vez mais, vemos como Paulo não é um teórico, alguém que despreze o comportamento ou as ações de alguém. Bem ao contrário, para que alguém atinja a glorificação, é preciso que tenha atitudes, ações, obras que confirmem a fé e que isto se faça com o poder de Deus. - O apóstolo era um exemplo disto. Quando esteve em Tessalônica, havia pregado o evangelho não só com palavras, mas também com demonstração em poder e no Espírito Santo (I Ts.1:5). Suas ações confirmavam a fé que possuía e o Senhor, com os sinais, confirmava a palavra que era pregada (Mc.16:20). Muitos, na atualidade, se lamentam de que, no passado, havia mais sinais, milagres e maravilhas. Isto ocorre porque não estamos cumprindo a vontade do Senhor nem tampouco sendo cuidadosos no cultivo da nossa fé. Se fizermos a vontade de Deus em nossas vidas, se procedermos de maneira a crescermos na fé, certamente teremos ações, obras que confirmarão esta fé e, como resultado, o Senhor, que é o mesmo (Hb.13:8), confirmará a palavra que pregarmos com sinais. - Mas, e aí está um ponto importantíssimo, a glorificação dependerá do propósito que tivermos em nossos corações. O apóstolo afirma que pedia a Deus pelos tessalonicenses para que eles cumprissem a vontade de Deus, praticassem obras que demonstrassem a sua fé para que o nome do Senhor Jesus fosse glorificado neles e eles fossem glorificados em Jesus, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo (I Ts.1:12). - Tudo deve ser feito pelo crente com o propósito de glorificar a Deus, sem qualquer intenção de crescimento pessoal, próprio, o que é muito costumeiro e corriqueiro ocorrer quando estamos em um grupo social. Os homens não podem querer aparecer quando se trata de fazer a obra de Deus, mas, ao revés, é importante que estejam movidos do mesmo sentimento de João Batista que sabia ser necessário que ele próprio diminuísse e o Senhor Jesus crescesse (Jo.3:30). Aliás, este é um dos principais fatores que fez com que Jesus considerasse João Batista como o maior homem que o mundo teve (Lc.7:28). - O cristão deve ser um espelho que reflita a glória de Deus (II Co.3:18). Assim como o espelho não tem imagem própria, mas tão somente reflete a imagem daquele que se apresenta à sua frente, o crente não deve aparecer em coisa alguma, mas mostrar aos homens o seu Senhor, mostrar aos homens Jesus. É por isso que, quando os homens vêem as obas obras do crente, glorificam a Deus, que está nos céus (Mt.5:16). O apóstolo não tinha intenção alguma em aparecer e brilhar entre os tessalonicenses, bem como pedia a Deus que nenhum daqueles crentes tivessem este intento, mas pedia a Deus que todos tivessem apenas a intenção de glorificar a Deus. - Quando vivemos para glorificar a Deus, Deus é glorificado em nós e caminhamos a passos largos para atingirmos a nossa glorificação, quando, então, daremos o passo decisivo para sermos um com o Senhor (Jo.17:21). Para querermos chegar à glória de Deus, é preciso que sejamos, desde já, instrumentos da glória de Deus, reflexos da glória de Deus entre os homens e isto só obteremos se aceitarmos não mais viver, mas fazer com que Cristo viva em nós, como fazia o apóstolo Paulo (Gl.2:20). - Como é triste vermos as lideranças eclesiásticas dos nossos dias querendo o brilho e o glamour da fama, esforçando-se em se tornar “lideranças-ícones”, ávidos por popularidade, reconhecimento popular através da mídia, verdadeiros “popstars” religiosos, “pastores midiáticos”, crendo que, com isto, estarão contribuindo para a evangelização. São, na verdade, pessoas que reproduzem o mito grego de Narciso, personagem lendária que por gostar tanto da sua imagem, acabou por se apaixonar por ela e a se precipitar nas águas que a refletiam, vindo a morrer. Assim também se comportam muitas lideranças nos nossos dias: apaixonam-se por si mesmas, tornam ególatras e, em virtude disto, acabam por se afundar nas águas da fama, sufocando a sua vida espiritual. - Paulo adverte cada crente, com este ensino, no sentido de que não devemos ter outro propósito senão a nossa glorificação e que a glorificação do crente, último estágio da sua salvação, que advirá com a nossa ressurreição, se já tivermos morrido no dia da vinda do Senhor, ou com a nossa transformação, se estivermos vivos naquele grande dia, depende de querermos, agora e já, nesta vida sobre a face da Terra, nesta vida debaixo do sol, estar dispostos a não aparecer, mas simplesmente refletir a glória de Deus. Deixemos as vaidades de lado, as ambições por fama, dinheiro e poder, renunciemos a nós mesmos, deixemos o “eu” de lado e passemos a refletir o Sol da Justiça, a glória de Deus e, certamente, estando em íntima comunhão com o Senhor Jesus, sendo um com Ele, seremos mais do que vencedores por Aquele que nos amou. GLOSSÁRIO GEENA ou GUEHINOM ou, ainda, GEHINOM – Nome dado pelos judeus ao local para onde iam as almas dos perversos e dos malvados após a morte. Seu nome significa, para alguns, “vale profundo”. Seria o “poço flamejante”, idéia que teria se desenvolvido após o contacto dos judeus com a cultura babilônica e grega, principalmente a idéia que passou a ser difundida no século I a.C. pela escola do rabino Shamai a respeito de uma “purgação temporária” para os pecadores “medíocres” (precisamente a idéia da doutrina do purgatório, acolhida pela Igreja Romana). “…A crença popular era de que as almas dos pecadores e malvados estavam condenadas a viver na escuridão eterna e no terror do guehinom, que só era iluminado pelos fogos eternos que incendiavam e queimavam o lugar, cada um dos quais era sessenta vezes mais quente do que o fogo ordinário. O guehinom rescendia com o mau cheiro do enxofre e do fósforo (o qual, incidentemente, também era característica do Hades grego). Uma fumaça sufocante e acre provinha do ‘Poço Candente’ ou do ‘Poço de Fogo’, no qual os malvados, expiando as más ações que haviam cometido em vida, agonizavam, enquanto os ventos da danação rugiam e sibilavam pelas sete regiões descendentes do guehinom.…” (Nathan AUSUBEL. Guehinom. In: A JUDAICA, v.5, p.310-1). TÁRTARO – Na mitologia grega, era um lugar subterrâneo, situado no fundo dos infernos, onde Zeus (o principal deus grego) precipitava aquele que o ofendiam. Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco. |
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